Educação

Municípios apostam em kits escolares para melhorar Ideb

Método de ensino nas áreas de Ciências Exatas será adotado por escolas de Pelotas e região, mas não é unanimidade

Divulgação -

A intenção, segundo a Associação dos Municípios da Zona Sul (Azonasul), é das melhores: qualificar as escolas públicas da região com laboratórios novos, modernos e bem equipados. Tudo sem que as prefeituras gastem um centavo. Através de um programa do Ministério da Educação (MEC), kits com todos os equipamentos necessários para o ensino de conteúdos vinculados a Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática serão repassados aos educandários. A expectativa é de que o material possibilite melhores notas no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb).

Primeira região do país a se interessar pela proposta do governo federal, que pretende investir R$ 100 milhões na aquisição dos materiais, montagem dos laboratórios e treinamento de professores, a Zona Sul aposta no método Stem (sigla com as iniciais em inglês das quatro áreas de ensino) também como caminho à formação de jovens preparados para o mercado de trabalho. No entanto, apesar de anunciada com entusiasmo por prefeituras interessadas, a iniciativa não é unânime.

Pró-reitora de Ensino e líder do Núcleo de Estudos e Pesquisas em Políticas Educacionais (Neppe) da Universidade Federal de Pelotas, Maria de Fátima Cóssio questiona a adoção de kits pedagógicos. Para a educadora, apostar em modelos predeterminados que não levam em conta características locais e dos estudantes é um erro. Apesar de considerar válidas ações visando o ensino multidisciplinar, afirma que os acessórios sozinhos não serão capazes de melhorar o Ideb.

"Os laboratórios seriam bem-vindos, os materiais também, mas não haveria necessidade de seguir métodos produzidos no exterior. Acredito que os professores têm condições para elaborar suas próprias aulas com os materiais disponibilizados, desde que sejam dadas as condições para tal", avalia a educadora. Conforme Maria de Fátima, os resultados educacionais dependem de uma combinação sistema e escola. "Isso implica em investimentos, formação continuada de professores, valorização da carreira, debates permanentes sobre currículo, metodologias, avaliação" completa.

Modelo ainda pouco conhecido
Mesmo sem saber exatamente quais são os equipamentos dos kits ou o treinamento dos professores para aplicação do método Stem, algumas cidades largaram na frente e se candidataram a receber os laboratórios. Pelotas é uma delas. Após uma reunião para apresentação do projeto na sede da Azonasul, no final de dezembro, a Secretaria Municipal da Educação e Desporto (Smed) demonstrou interesse em implantar os kits na rede pública. Junto com Jaguarão e Pinheiro Machado, duas das cidades que demonstraram interesse no método, Pelotas aguarda para a próxima quinta-feira a visita de um técnico do MEC, para conhecer mais detalhes e encaminhar a adesão ao projeto.

"Nossa expectativa é grande de que esse método contribua para melhorar a qualidade do ensino, mas até o momento não temos muito concreto como ele funciona", diz a diretora de Ensino da secretaria, Loreni Peverada. Com um Ideb de 4,8 nos anos iniciais e 3,5 nos finais, a ideia da Smed é que o uso de novos materiais aguce a curiosidade e o interesse dos alunos.

Sobre o fato de o método prever o treinamento dos educadores para um modelo de aplicação, Loreni diz não haver motivo para preocupação. A responsável pela coordenação pedagógica das 60 escolas municipais ressalta que os professores terão autonomia para eventuais adaptações.

Presidente da Azonasul e prefeito de Jaguarão, Favio Telis (PMDB) não esconde o entusiasmo com a possibilidade da região ser a primeira do país a receber os conjuntos da metodologia Stem. "Nosso Ideb está muito abaixo de outras regiões do Estado. Tenho esperança que o método ajude a melhorar. Claro que não se estabelece bons índices apenas com isso, mas somando a um conjunto de medidas é possível", ressalta.

Para a professora do Departamento de Ensino da UFPel, os equipamentos são importantes, mas reforça que a adoção de um método importado de ensino visando unicamente algumas áreas de Ciências Exatas com objetivo de melhores avaliações do Ideb ou preparação ao mercado de trabalho é um erro. "A escola precisa formar pessoas para viver, conviver e transformar, se for o caso, a sociedade, e para o mundo do trabalho. Não podemos ficar atrelados e subsumidos às imposições e mudanças do mercado. Pessoas preparadas para a vida, estarão, também, preparadas para o trabalho", argumenta.

Os kits
- O Stem (Science, Technology, Engineering and Mathematics) atenderá escolas do Ensino Fundamental com recursos didáticos em forma de laboratório.

- Cada kit possui pelo menos 134 itens, entre materiais e equipamentos tecnológicos e didáticos, para alunos e professores. Os valores variam de R$ 129 mil (anos iniciais) a R$ 220 mil (anos finais).

- Dentre os itens que compõem cada conjunto, estão conjuntos de formas geométricas, ebulidores, esqueletos, jogos educativos, kits de educação ambiental e de iniciação eletrônica, mecânica e robótica, telescópio, lupas, mapas, microscópios, modelos de células e órgãos do corpo humano, termômetros e substâncias químicas para experimentos.

- Os educadores receberão formação presencial e a distância para aplicação do método de ensino.

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